Notícias

Dos 12 aos 70+: parabadminton mostra que não existe idade para competir em alto nível

Domingo, 03 de Maio de 2026, 20h25
imprensacbbd
imprensacbbd

Se o primeiro dia foi de recorde, o segundo dia da 1ª Etapa Nacional de Parabadminton 2026, em São Paulo, foi de histórias que ajudam a explicar o crescimento da modalidade.

Nas quadras do Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, o que se viu foi um retrato raro no esporte de alto rendimento: atletas de diferentes gerações dividindo o mesmo espaço competitivo e em condições reais de disputa. De um lado, jovens de apenas 12 anos iniciando suas trajetórias; do outro, atletas com mais de 70 anos, acumulando experiência e mostrando que a longevidade também é uma marca do paradesporto.

Mais do que competir, eles jogam de igual para igual, respeitando as especificidades de cada classe e as limitações naturais que o tempo impõe, sem que isso diminua o nível técnico ou a intensidade dentro de quadra.

Um dos exemplos mais emblemáticos do dia foi o carisma de “Seu Luiz”, que entrou em quadra ao lado de João Gabriel Carbajal, de 21 anos, e contou com uma verdadeira torcida organizada acompanhando cada ponto. A dupla respondeu com vitória, em uma parceria que uniu gerações dentro e fora do jogo.

“É muito bom ter a torcida perto da gente, porque é o que dá força. Eu tava muito nervoso também, mas passou o nervosismo. Conseguimos mais uma vitória, o que é muito bom. A gente vem pra buscar o melhor. Eu aprendo muito quando jogo com alguém mais jovem que eu. Eu não sabia nem o que era o badminton, conheci depois da minha lesão por meio de um amigo e hoje estou apaixonado por ele. Cada vez que passa eu vou melhorando mais e o meu parceiro é muito bom comigo”, comenta Luiz Alves Fernandes, do clube CETEFE-DF, após a vitória ao lado de João Gabriel Carbajal.

Outro momento marcante foi protagonizado por Maria Eduarda Sousa, de 15 anos, e seu pai, Rennê Sousa, de 43. Pela primeira vez, os dois competiram juntos na dupla mista. Das três partidas que tiveram nos dois primeiros dias de campeonato, venceram duas delas, mas de acordo com eles, essa é uma experiência que vai além do resultado. 

“Pra mim tá sendo muito emocionante, muito marcante. Jogar dupla é deixar fora da quadra a questão de ser pai e ser filha pra poder colocar a concentração dentro da quadra. A gente trabalhou muito pra esse momento. A diferença de idade pra mim tá sendo tratada de uma forma tão leve e isso vem muito do paralímpico. Quando eu tinha a idade da Duda, a gente não tinha a mesma oportunidade que os jovens têm hoje. A maioria dos atletas que são bem ranqueados tem inclusive atletas veteranos, como é o caso do levantamento de peso paralímpico. Na harmonia, o mais maduro consegue colaborar com os mais jovens que conseguem absorver um pouco da experiência que a maturidade traz”, explica Rennê Sousa.

“É a nossa primeira vez jogando juntos dupla mista. Dá um friozinho na barriga, porque estou jogando com o meu pai. Sempre jogamos juntos em treino, mas é diferente em um campeonato. Eu acho muito legal, eu vejo que o badminton tá crescendo no Brasil, chegando gente nova e na minha faixa etária e, a gente, novinho, tá chegando e dando trabalho pros veteranos”, completa Duda Souza.

A atleta vem quebrando barreiras na sua classe. Em abril, conquistou mais uma medalha internacional, o bronze no Campeonato de Parabadminton da República Tcheca. Ano passado, Duda também trouxe medalhas para o Brasil no Pan-Americano e no Gimnasíades. “É muito gostoso jogar um campeonato internacional. Eu nunca imaginei jogar um campeonato desse porte sendo tão jovem. Eu ainda tenho que melhorar muito, mas o que me motiva e me dá um gás para treinar mais e ser melhor é saber que tem muitas meninas da minha idade jogando esses torneios e eu quero ganhar delas”, contou Maria Eduarda.

Duplas movimentam a rodada

Dentro da quadra, o segundo dia contou com 113 jogos disputados, sendo 82 das classes andantes e 31 das classes cadeirantes, com destaque para as partidas de duplas, que concentraram alguns dos confrontos mais equilibrados da rodada.

Entre os principais resultados do dia:

  • João Gabriel Carbajal e Luiz Alves Fernandes venceram Manoel Roseno e Vitor Hugo Dutra por 2 sets a 0;

  • Rogério de Oliveira e Edwarda Oliveira também tiveram desempenho sólido, com duas vitórias por 2 sets a 0;

  • Em um dos jogos mais disputados do dia, a dupla formada por Jonathan Cardoso e Bruna Danielle Moreira Vasconcellos enfrentou João Pedro Albuquerque Oliveira e Ana Carolina Coutinho Reis. A partida foi decidida nos detalhes: vitória de João Pedro e Ana Carolina, com parciais de 28/26 e 21/11;

Outro confronto que simboliza o espírito do torneio envolveu Rennê Souza e Marcio Dellafina na disputa de dupla absoluta (duplas masculina e feminina se enfrentam). Ambos com mais de 40 anos, eles venceram Bruna Izabelly e Milena Mayer, atletas na faixa dos 15 anos, por 2 sets a 0 — um retrato claro do encontro entre gerações que marca a competição.

Cenas como essas ajudam a explicar o momento vivido pela modalidade no Brasil. Em um cenário onde atletas de 12 a mais de 70 anos competem lado a lado, o parabadminton reforça uma mensagem simples e poderosa: não existe idade limite para o esporte.

ELEIÇÕES 2024

PROGRAMA OLÍMPICO DE PATROCÍNIO

APOIO

PARCERIAS

PATROCÍNIOS

FILIADA A

CBBd no Twitter

Últimas Notícias CBBd

Mais Notícias